Pontal da Solidão
Pontal da Solidão, rodado no Rio Grande do Sul, na fronteira com Santa Catarina, é o único filme dirigido por Alberto Ruschel (1918-1996), natural de Estrela, protagonista em produções da Companhia Cinematográfica Vera Cruz no início dos 1950. O Cangaceiro (1953) é um desses filmes, do diretor paulista Victor Lima Barreto (1906-1982), autor da história “Mau olhado” que inspira o “segundo movimento” de Pontal da Solidão. Ruschel também atua, ao lado de Débora Duarte, em seu segundo papel cinematográfico após Céleste (Michel Gast, 1970, FR-IT). Com uma trajetória em dezenas de papéis na TV, faz pouco cinema, como A Menina do lado (Alberto Salvá, 1987) e Os Monarcas – A lenda – A história de Chiquito e Gildinho (O. de Lima, 2013), quando retorna ao estado. A atriz Ruth de Souza (1921-2019) tem participação importante com sua voz, como uma espécie de narradora oficial da história, sem jamais aparecer em cena. As locações incluíram trechos famosos da praia de Torres, como o Morro de Furnas, em frente à Praia da Guarita. As belas imagens litorâneas deram ao filme o prêmio de melhor fotografia no Festival de Guarujá, que também concedeu a distinção de melhor música original para Beto Ruschel, irmão de Alberto. (do site do Portal do Cinema Gaúcho – Cinemateca Paulo Amorim)
Um dos filmes mais esperados da moderna produção nacional. Estreando como diretor-autor, Alberto Ruschel situa-se num plano diverso de quase todos os seus colegas atores (Dionísio Azevedo, Jece Valadão, Aurélio Teixeira, Egidio Eccio, David Cardoso, John Herbert, Sergio Hingst) que também passaram à realização, obtendo uma obra certamente alheia a certos cânones, mas sem nunca desdenhar o insólito, o inédito, o poético, o extremamente pessoal, o absolutamente seu. A ação, praticamente um duo. Um velho marujo que vive num lugar isolado. A menina (Débora Duarte) que foge de uma provação pensando em suicídio e coloca-se sob sua proteção. E a volta dos criminosos, que ainda pensam em se vingar de sua vítima. Um filme estranho e bonito, “rodado” em maravilhosos locais do Rio Grande do Sul e que precisa ser devidamente apreciado. (O Estado de S. Paulo, 14.10.1979)

